Ataque ao PT se deu em diversas frentes, razões existem há décadas, mas o foco sempre foi a riqueza do país produzida pelo sua gente trabalhadora e esforçada.

 

MapaMundi_PIB

Começou com o desmonte do “núcleo duro” do governo Lula – Dirceu, Gushiken, Genoíno e outros, refez–se num balão de ensaio no ano de 2013 e se concretizou com o golpe contra Dilma em 2016… (1) (2)

Tirar Dilma e Lula do páreo é mais do que uma relação eleitoreira, trata-se de um projeto ideológico continental, é uma reação\exercício de manutenção do predomínio do projeto ocidental do capitalismo hegemônico sobre os países que o representam na Europa e nas Américas, em oposição às forças de mercado que vem das potências orientais – China e Rússia aliadas à Índia e à África do Sul, países que formaram o BRICS, este por sua vez, um poderoso bloco integrado de interesses econômicos e expansionistas que busca fugir, se contraposicionar e criar opção ao modelo de (des)equilíbrio mundial sustentado pelos sistemas de dominação que USA e Europa apresentam aos países ocidentais, dominados pela força de sistemas internos organizados à submissão destes interesses (grandes bancos privados, além do FMI, do Banco Mundial e de complexos industriais e de serviços interligados, que drenam a energia destes países). O BRICS (3) surgiu assim com uma oferta de mercado orçada em US$ 100 Bilhões, o que é mais do que a soma dos PIBS de muitos países que negociam no mercado mundial. Inimigo potencialmente indesejável para FMI, BID, BM, financistas de Washington, de Londres, Alemanha e outros países capitalistas europeus, cujas missões entre outras seria dar suporte financeiro estratégico aos países membros ou credoras, sem eliminar a “sensação” bastante calcada na realidade da dependência destes créditos, a partir de um ciclo elaborado e constantemente revisto de regras (dez amarras fundamentos) que impedem o pagamento da dívida adquirida. Tratou-se imediatamente de impedir o crescimento dos BRICS …(4) (5) (6)

A ofensiva contra o Partido dos Trabalhadores no Brasil se dá com vistas neste foco de eventos aparentemente díspares e distantes, principalmente porque quando se pensa Rússia, lê-se o arqui-inimigo dos USA surgido na Guerra Fria, em meados dos anos 1950 e seus ‘satélites aliados’, países que organizados sob a discussão acalorada entre cientistas, pensadores, filósofos e intelectuais do projeto socialista (7) formaram um dia a chamada ‘cortina de ferro’ (8) (fato que implica e se traduz numa poderosa tecnologia daí resultante, dos carros populares à conquista do espaço, passando pelo desenvolvimento de novas formas de produção e uso de energia nuclear e das armas de destruição em massa), poderes regionais resultantes da corrida armamentista do pós-guerra e do reposicionamento geoestratégico pelo planeta na luta por recursos e polos de influência, incialmente dentro da própria Europa onde a grande guerra (9) se instalou. Novos dados e análises históricas demonstram todo o interesse e apoio dos aliados em deixar Hitler e o nazismo alemão (10) lutarem contra o comunismo soviético (11) e só houve uma forte reação contrária quando em nome de pureza ariana, do cristianismo racial nacional e doutrinário o nacional-socialismo alemão se tornou desinteressante e até perigoso para o resto da Europa (Inglaterra e França, principalmente). Pode-se imaginar que a Segunda Guerra foi uma jogada dos aliados colonialistas europeus para ampliar o domínio sobre o mundo e que a Alemanha foi só um bode expiatório, Hitler foi a testa das ações que seria dispensável após algumas conclusões. Obviamente, como em todo plano, a reação do bloco comunista apresentou um divisor (muro, cortina de ferro etc) instransponível. Um plano B (já pronto para estas emergências) foi rapidamente posto em prática.

Aqui vale à pena uma pesquisa para ver os desdobramentos ‘religiosos’ – a questão judaico-palestina como continuidade da guerra fria (12) (fora do eixo europeu) em seus princípios com a criação do enclave de Israel (mais muros) e a consequente divisão dos países do Oriente Médio, antes sob a influência dos principais atores colonialistas europeus na região – França e Inglaterra – e que se viram atraídos para a esfera de influência da URSS, uma reação que não se podia aceitar. Foi preferível aos aliados ocidentais perderem tudo e deixarem atrás de si um conglomerado de tribos fragmentadas e cheias de intrigas entre líderes regionais do que entrega-las à URSS. Vale à pena ver também o papel de Roma na questão, que embora submerso deteve papel relevante nas propostas e soluções utilizadas para a manutenção da Europa unida e da revisão da partilha África – uma segunda colonização em contínuo histórico à primeira guerra mundial – entre os países colonizadores europeus (Espanha, Portugal, Itália, Holanda, Bélgica, a própria Alemanha, além da França e da Inglaterra também detentoras de colônias por todo o território negro.) (13)

Em seguida quando se fala na milenar China (14) (e dos países que orbitam a sua esfera de influência regional, à exceção da Coreia do Sul e do Japão – com seus muros respectivos) deve-se imaginar a mesma força e capacidade, aliando-se a isso uma enorme população e uma consistente penetração no mercado comercial produtor e consumidor mundial com bens (dos carros populares à conquista do espaço passando pela produção e uso de tecnologia de energia nuclear) a ponto de desequilibrar a balança comercial do mundo ocidental, antes dominado pelas forças capitalistas tecnológicas e financeiras da Europa e dos USA. Diga-se o mesmo da antiquíssima cultura da Índia (15) (e de seu muro “recentemente construído” com Paquistão na região de Caxemira – país que em termos de população se posiciona como segunda maior do planeta, atrás da China – e como aquela detém impressionante exército de mão de obra, ultimamente com forte direcionamento às aplicações do desenvolvimento tecnológico (com destaque para a nano e microeletrônica informatizada – sistemas e softwares) com parque industrial gigantesco e domínio da produção e uso da energia nuclear também com a fabricação de armas de destruição em massa.

Numa posição estratégica geograficamente analisando-se, temos a África do Sul (16) que embora não seja exatamente uma potência econômica é a rota oceânica mais interessante, já que dar a volta pelo Pacífico inviabilizaria parte do projeto mundial de reequilíbrio, pois dificultaria as ações da Índia já que a navegação se daria por águas internacionais protegidas e vigiadas pelas frotas de ataque-defesa norte-americanas e europeias no Pacífico Sul, desde a Polinésia francesa, Austrália, Japão e a quarta-frota naval norte-americana ultimamente estacionada próxima ao Chile. (17) Além disso, a inexistência de portos suficientemente desenvolvidos capazes de atender ao enorme trânsito de mercadorias que se estabelecerá na costa Oeste da América do Sul com capacidade para atender às demandas – de alimentos aos minerais e combustível fóssil (?) – dificulta ainda mais esta aproximação.

Uma das frentes, então, comumente usada e talvez de menor importância, dada à sua localidade, ou regionalidade, e apresentada como saída ao impasse no jogo enorme de interesses que se estabelece neste tabuleiro mundial, que muitos estudiosos dizem ser os efeitos de um processo de globalização (18) diz respeito ao ataque e evidente prejuízo causado nas duas pontas mais frágeis do “inimigo”, visto este como um bloco único a se formar – BRICS – e cada uma destas pontas com suas características e modos específicos de ação, a saber, as recentes tentativas de enfraquecimento das relações da Rússia via crises da Ucrânia\Chechênia com os países europeus, unilateralmente alinhados aos USA, mas dependentes em boa parte da produção e do escoamento do gás russo que abastece cerca de 30% do consumo europeu e que atravessa o território ucraniano etc, jogos de poder e interesses cuja finalidade será  sempre isolar o governo de Vladimir Putin (19) e o ressurgimento da potência soviética, que pela defesa de posições firmes e estratégias de contraponto ao poder dos USA na região (20) não é bem visto pelos acólitos de tio Sam, e do outro lado, na ponta onde as ações não são tão trágicas e belicistas do ponto de vista internacional (não há movimentação de tropas, exércitos de um país contra outro etc, mas são inúmeros os conflitos internos: embora ainda seja real a violência das PMs contra a população mais pobre nos estados da União, ações ainda baseadas na ideologia do regime autoritário impostos ao país partir de 1964 – época da ditadura (21)) está o Brasil, país fornecedor de matérias primas, alimentos, e em breve, por conta do Pré-sal e suas jazidas bilionárias, também futuro fornecedor de combustível dos BRICS e seu aliados, desta vez, pela criação de duas ferrovias (uma delas patrocinada pela China) que atravessam o Brasil  partido das regiões centro-Sul-Oeste em direção, uma para o Pacífico no Peru a Oeste (em atenção ao mercado asiático), e outra para a Europa no Leste (a partir do porto de Itaqui no estado do Maranhão – Norte do país), sem falar do controverso porto Mariel em Cuba (ao Norte) que também atenderia e facilitaria o escoamento de matéria–prima para USA (minérios e alimento) e Europa. Tais investimentos estruturais nas vias de comércio marítimo internacional de grande porte desarticulam em parte ou apresentam e redimensionam, por razões de ordem econômica, a importância dos portos no Sudeste e Sul do país, nos estados do Espírito Santo, São Paulo e Paraná para onde se dirigiam até então as grandes cargas de produtos exportáveis produzidas no país e onde chegavam os produtos da importação. (22) (23) (24) (25) (26)

O crescimento do Brasil, que concentrou grande parte de suas economias na equalização das diferenças regionais, distribuindo, inclusive, os pontos de produção\geração de energia ao levar desenvolvimento para regiões tidas como cronicamente subdesenvolvidas e, como eram dentro dos antigos planos das antigas oligarquias e da manutenção do estado de dependência na relação Norte\Nordeste para Sudeste\Sul provocou a ira das elites econômicas internas, alterou a dinâmica do fluxo de capitais e, num segundo movimento atraiu a atenção do mundo, principalmente dos financistas que vivam e estavam acostumados aos métodos antiquados da concentração da renda nas regiões Sul e Sudeste. (27) om este aporte de crescimento, aliado ao aquecimento do mercado interno implementado a partir do segundo mandato do presidente Luis Inácio da Silva – Lula – o Brasil assume a liderança regional e torna-se visível no cenário mundial.

O golpe começa a nascer. Foi justamente esta a estratégia utilizada: enfraquecer as relações internas do estado brasileiro, levando-o a um separatismo virtual, em primeiro momento, e acirrando as tensões de classes sociais, e a partir de um breve balão de ensaio proposto e levado a cabo em junho de 2013, lançou-se as sementes de uma típica primavera tupiniquim, que visava claramente desestabilizar o governo eleito de Dilma Roussef e do Partido dos Trabalhadores (no poder desde os governos Lula), ações que se confirmaram no decorrer do tempo a partir do impedimento de suas ações, via bloqueio do congresso nacional nas duas casas, cheios de conservadores, arrivistas e lobbys (departamentos jurídicos políticos das grandes empresas e de setores da economia privada com interesses particulares nos recursos do país) e depois do impedimento da própria presidenta eleita – caracterizado como golpe institucional – as instituições e poderes no país, legislativo e judiciário se uniram contra o voto popular e contra o processo democrático em andamento e afirmaram a ruptura do mesmo, porque mais uma vez (talvez desde a primeira República, depois com Getúlio Vargas na década de 50, e em 1964) paira na cabeça dos artífices a “ameaça comunista” e a chance de perderem o domínio sobre a maior colônia de extração de riquezas do Atlântico Sul… Isto, porém, só se concretizou com uma aliança forte entre as lideranças e oligarquias regionais de oposição, notadamente os governadores, senadores e empresários dos estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e os partidos PSDB e do PMDB, FIESP e outras representações civis organizadas em torno do capital. (28) (29)

Claro que há diversos níveis de maldade empregados nas jogadas desde então. A partir de 2001 iniciou-se uma era de independência econômica do Brasil em relação aos capitas exclusivos dos USA e europeus e isso incomodou muita gente graúda, lá fora e aqui dentro. Os representantes do capital internacional das empresas estrangeiras aqui dentro, a oposição, empresários, oligarquias e a imprensa nacional muito criticaram Lula e suas viagens internacionais intermináveis, mas não deram um ponto sequer quando o país assumiu a quinta posição no ranking das economias estáveis do planeta, elevou seu PIB, (atualmente em queda graças às crises repetidas do capitalismo mundial) para a casa dos trilhões anuais (30) gerou uma reserva cambial de mais de 370 bilhões de dólares (31) e apareceu no mapa mundial como capaz de erradicar a fome, tirou mais de 30 milhões de pessoas da miséria, (32) gerou internamente um mercado consumidor médio com garantias de livre circulação de bens, serviços, capitais e pessoas que ultrapassou países como a Inglaterra e criou programas sociais que despertaram a atenção dos USA e outros países potências mundiais, inclusive ao elevar o salário mínimo para US$ 300. (33) A comparação com os valores reais pagos na década de 1990, por exemplo, demonstra por si só a evolução dos valores e da profunda transformação social que o Partido dos Trabalhadores e a esquerda aliada e não golpista promoveu no Brasil em tão pouco tempo.

Graças a estas ações que as elites chamam de ‘populista de esquerda’ Lula foi indicado ao prêmio Nobel, foi indicado para assumir uma cadeira na ONU, foi agraciado com diplomas e comendas em dezenas diversas universidades centenárias de renome internacional e mundialmente ranqueadas, enfim, despertou a admiração das elites mundiais, mas também a antipatia daquelas e das elites regionais que viram no operário nordestino que deu um jeito no Brasil um inimigo a ser derrotado, pelo simples fato das suas ações terem alterado definitivamente o status quo dominante.

Era preciso detê-lo, de qualquer modo e um muro também surgiu em Brasília. Sintomático? Revelador… As elites dominantes e traidoras da república não querem um país para todos. Preferiram dar o golpe e condenar o país definitivamente a um estado caótico de coisas que pode não ter volta.

 

REFERÊNCIAS –

(1)- https://pt.wikipedia.org/wiki/Partido_dos_Trabalhadores#Funda.C3.A7.C3.A3o

(2) http://www.pt.org.br/

(3) http://www.itamaraty.gov.br/pt-BR/politica-externa/mecanismos-inter-regionais/3672-brics

(4) https://pt.wikipedia.org/wiki/Fundo_Monet%C3%A1rio_Internacional e

http://www.itamaraty.gov.br/pt-BR/politica-externa/diplomacia-economica-comercial-e-financeira/119-fundo-monetario-internacional

(5) http://www.iadb.org/pt/banco-interamericano-de-desenvolvimento,2837.html

(6) https://pt.wikipedia.org/wiki/Consenso_de_Washington

(7) https://pt.wikipedia.org/wiki/Socialismo_cient%C3%ADfico

(8) https://pt.wikipedia.org/wiki/Cortina_de_Ferro

(9) https://pt.wikipedia.org/wiki/Segunda_Guerra_Mundial

(10) https://pt.wikipedia.org/wiki/Alemanha_Nazi

(11) https://pt.wikipedia.org/wiki/Partido_Comunista_da_Uni%C3%A3o_Sovi%C3%A9tica

(12) https://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_Fria

(13) http://www.pucrs.br/ffch/neroi/mono_revista.pdf

(14) https://pt.wikipedia.org/wiki/China

(15) https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%8Dndia

(16) http://www.africadosul.org.br/

(17) http://www.naval.com.br/blog/2010/08/16/a-quarta-frota-e-a-estrutura-militar-unificada-dos-eua/

(18) https://pt.wikipedia.org/wiki/Globaliza%C3%A7%C3%A3o

(19) https://pt.wikipedia.org/wiki/Vladimir_Putin

(20) http://periodicos.pucminas.br/index.php/fronteira/article/view/5068

(21) http://www.mapadaviolencia.org.br/pdf2015/mapaViolencia2015.pdf

(22) http://www.petrobras.com.br/pt/nossas-atividades/areas-de-atuacao/exploracao-e-producao-de-petroleo-e-gas/pre-sal/

(23) http://www.agricultura.gov.br/

(24) http://www.portodoitaqui.ma.gov.br/

(25) https://pt.wikipedia.org/wiki/Porto_de_Mariel

(26) http://www2.planalto.gov.br/noticias/2015/05/portos-do-brasil-registram-aumento-de-volume-de-cargas-no-primeiro-quadrimestre-do-ano

(27) http://www.ipea.gov.br/bd/pdf/Livro_BD_vol3.pdf

(28) http://www.tse.jus.br/partidos/partidos-politicos/registrados-no-tse

(29) http://brasil.elpais.com/brasil/2016/03/30/politica/1459289168_509972.html

 

(30) http://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2016-03/ibge-pib-fecha-2015-com-queda-de-38

(31) http://www.bcb.gov.br/?rp20160512

(32) https://nacoesunidas.org/crescimento-da-renda-dos-20-mais-pobres-ajudou-brasil-a-sair-do-mapa-da-fome-diz-onu/

(33) http://www.trt3.jus.br/informe/calculos/minimo.htm

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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socrates-discipulos

Não consegui traduzir os escritos na língua árabe do quadro acima. No entanto, a legenda diz Sócrates e seus pupilos. Estranhei, a princípio. Desconfiando, sem, contudo, poder provar minhas ideias, levanto as seguintes questões: Platão teria andado pelo Egito, mas, há algum relato de tê-lo feito também por terras persas?

Porque o ‘biógrafo’ (ou o relator das peripécias do pensador grego Sócrates) foi Platão. Há outras duas – apenas – indicações de que o homem Sócrates existiu, uma de Aristófanes (escritor ateniense de As Vespas, A guerra dos sexos – Lisístrata, entre outras), localizando-o em seu texto As nuvens como um sofista, portanto, um homem de caráter discricionário e pejorativo, um perdulário de elite que cobrava para falar, cuja existência, por si só, denunciava e apontava a decadência da democracia ateniense. E outra no próprio diálogo de Platão – O Banquete – onde Aristófanes (que já imaginara ser Sócrates um sofista nas Nuvens), convidado para o simpósio, apresenta uma versão curiosa sobre o amor e os gêneros dos amantes humanos: masculino, feminino e andrógino.

Pois bem, não sei outro Sócrates senão o ateniense, e, portanto, o retrato acima, mostrando-o vestido com típicos trajes persas me aguçou a curiosidade. É certo que o mar que separava as terras de Dario I da Grécia insular e continental era pequeno (birremes e trirremes de ambas as marinhas faziam a viagem em um dia e meio). E que aquele guerreiro olhava com ganas para a outra margem que lhe abriria, novamente, caminho para a Europa mediterrânea, em direção à Sicília, e hoje Itália, à Espanha, França, Portugal  etc… O excelente livro de Gore Vidal, Criação, nos oferece um cenário favorável para viagens mentais e permite divagações sobre os encontros entre estes povos – gregos e persas e outros. As disputas espartanas (“o ying da civilização grega!”) – batalha de Termópilas – contra o exército persa, e que o atrasou em três dias é também um fato histórico bastante divulgado. 300 virou gibi. Vem daí, talvez, por divagação e inconclusos descaminhos mentais, a imagem acima ou a evocação desta memória milenar.

O que se sabe é que persas, árabes e muçulmanos, numa sequência histórica: zoroastristas e maometanos fundiram-se na criação do islã, e que esta religião tem apreço pelas Ciências e pelas Artes – Matemática, Física, Arquitetura, Astronomia, Música, Biologia, pela Filosofia e, que, provavelmente, guardaram os ensinamentos de Aristóteles, discípulo de Platão, e muito mais do que a cristã, oferece aos seus seguidores espaços e possibilidades de acesso a tais conhecimentos.

Ora, Aristóteles foi mestre na corte de Filipi II, pai de Alexandre III, o guerreio macedônio da dinastia argéada (diziam-se descendentes de Argos e Hércules) conquistador que tanto quanto seu rival persa Dario I, e seus filhos Xerxes, I e II (Artaxerxes – assassinado pelo irmão) ansiava por expandir territórios, domínios e conhecimentos para além de suas fronteiras. Persas em direção ao Oeste, poente, e gregos comandados por Alexandre na direção oposta – Leste, nascente. Aluno de Aristóteles, Alexandre direcionou sua sanha imperialista em direção à Pérsia, chocando-se com Dario III, quando conquista definitivamente aquele território e chega até a Índia.

Antes, porém, faz guerra permanente para conquistar territórios da Magna Grécia e submete tribos inteiras ao seu despotismo: trácios, ilírios, atenienses, espartanos, calcídicos, olínticos entre outros povos. Com a unidade garantida em um reino forte decide investir contra seus inimigos orientais os aquemênidas, a dinastia que começou com Ciro, o Grande, bisavô de Dario I. Ciro sim, o grande responsável pela aceitação do Judaísmo e suas trocas influentes com o transcendentalismo Zoroastrista que resultou na criação das duas maiores religiões Ocidentais – cristianismo e islamismo.

Bom, isto historicamente colocado e descrito por Xenofonte, Heródoto, Plutarco no passado não pode mais nos deixar intrigados quanto às possibilidades de Sócrates (sabe-se tinha sido soldado e por isso mesmo chamou a Coragem de a única virtude) ou Platão terem recebido forte influência persa, e a levar em conta as afirmações dos orientalistas, estudiosos e filósofos norte-americanos Arthur Uphan Pope e Will Durant este pressuposto ganha peso e concretude: –Por milhares de anos os persas vêm criando beleza. Dezesseis séculos antes de Cristo, nestas regiões ou em seus arredores… vocês vêm sendo aqui uma espécie de divisor de águas da civilização, despejando seu sangue, seu pensamento, sua arte e sua religião para leste e oeste, sobre o mundo… Não preciso relembrar a vocês os feitos de seu período aquemênida. Foi então que, pela primeira vez na história conhecida, um império quase tão extenso quanto os Estados Unidos recebeu um governo ordenado, uma administração competente, uma rede de comunicações velozes, a segurança nos movimentos de homens e mercadorias por estradas majésticas, igualado, antes de nossos tempos, apenas pela Roma imperial em seu auge.”

 

 Referências –

Xenofonte – https://pt.wikipedia.org/wiki/Xenofonte

Heródoto – https://pt.wikipedia.org/wiki/Her%C3%B3doto

https://pt.wikipedia.org/wiki/Imp%C3%A9rio_Aquem%C3%AAnida  – “The History of the Persian Civilization” by Arthur U. Pope.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Will_Durant(PDF). Addressing ‘Iran-America Society. Will Durant – Mazda Publishers, Inc.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Gore_Vidal – Criação – Ed. Nova Fronteira 2006

I.F.Stone – O julgamento de Sócrates – Cia. de bolso 2004.

 

 

A merenda das escolas pública do estado de São Paulo foi roubada. Ninguém foi preso, mas há denúncias graves contra o presidente da ALESP – procurador de Justiça Fernando Capez do PSDB (partido no governo do estado desde, pelo menos, 1992). Os envolvidos no assalto e presos pela polícias entregaram o procurador Capez como sendo mandatário do crime, mas até agora nada foi apurado. Nesta hora a Justiça fica lerda. Mas, terá de ser feita, mais cedo ou mais tarde…

 

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Lutar em todas as frente por uma Educação pública gratuita e de qualidade é dever de todas as pessoas que pagam impostos diretos e indiretos, de todos os que vivem, trabalham e batalham diariamente nesta cidade, neste estado, neste país.

Vamos lutar juntos pelo que é nosso e nos interessa!

 

 

Vídeo  —  Publicado: 28/06/2016 em Educação, Educação e política, Pátria Educadora

Você pode encontrar os livros de ficção (f) e acadêmicos (a) do escritor no site da amazon.com.br – é só escrever o nome do autor na busca que já cai direto na página.

Lá você encontra:

(f) Vários Contos de Reis

(a) Conceitos Básicos de Filosofia e Política no Século XXI 

(a) Arestas – Crônicas de Percurso

(a) Manual Geral do Desempregado

Mas, se quiser o livro O Olho de Aldebaran (sucesso de crítica, considerado uma das melhores obras de ficção do Brasil) visite os sites da Editora Scortecci:

http://www.asabeca.com.br/detalhes.php?prod=7184&friurl=-O-OLHO-DE-ALDEBARAN–Volmer-Silva-do-Rego-&kb=60#.V1ialigrLDc

e/ou da Livraria Cultura:

http://www.livrariacultura.com.br/p/o-olho-de-aldebaran-42750730

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Outros 5 títulos novos estão sendo preparados e em breve você os poderá encontrar e ler nos endereços a serem publicados.

Se quiser ler a entrevista do autor no site da editora Scortecci e conhecer um pouco mais de seus pensamentos acesse:
http://portaldoescritorscortecci.blogspot.com.br/2014/11/entrevista-com-volmer-silva-do-rego.html

Boa leitura!

Comunicação Interna – pilar estrutural de sua empresa/instituição

 

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Deslinguagerias

 Considero interessante a afirmação de que há duas línguas – uma culta, variante normativa, rígida e chegada aos doutos, oficial de bureaux; uma língua do pensar, acadêmica, e, pensando em Weber, talvez de ricos “privatdozent” que lhes proporcionam estrutura para perambular entre os corredores do pensar e o do poder, documental, e outra língua popular, regional, cotidiana e cheia de acentos locais, aquela da feira – diária, uma língua do fazer.

Considerar interessante, porém, não significa que concorde com a existência das duas. Creio e ouço, leio e falo apenas uma. A minha. Na academia ou na feira consigo me comunicar. Sou especial? Nada. O que gera uma terceira possibilidade que não invalida as anteriores, pois, no caso, tenta-se reconduzi-las, razoavelmente, senão racionalmente, à unicidade. Imagino, porém, que a variação que se dá em função do lugar, cheia de atributos e uma cor local é abundante, é viva, e assume o momento, resgata o encontro e propicia a comunicação – a única função útil da língua, além de pensar por e através dela, sendo assim, a matriz da verdadeira língua, a que se fala e permite a comunicação, a troca de sensos e entendimentos e, como ferramenta de liberdade e geração do caráter, a personalização do uso, sem abandono ou quebra das estruturas assume igual valor.

Aquela é, portanto, muito mais rica e flexível dada à sua característica e capacidade de se ampliar e adaptar-se (como querem os biólogos evolucionistas) com a velocidade do pensar e fazer diários, de ajustar-se e apreender para e por si, conceitual e sonoramente aos elementos presentes,  não só ao linguajar humano, à ferramenta, como à sua historicidade, ou seja, o fazer histórico, o ato, à implicação do sentido com a realidade, fruto da relação do seu Eu com o imediato que o cerca, o outro e o coletivo, e o que ambos promovem contextualmente, e puxa tanto do raciocínio, quanto do repertório sentimental, emotivo, que difere e acrescenta sentidos outros, às vezes, aos mesmos termos e os torna comuns nas trocas entre interlocutores e ouvintes. Então, construção, co-construção, cooperativa, ‘transoperante’. Desdobra-se e avança pelo e com o outro. A língua acompanha o tempo, e é como um caudal, um rio que flui numa direção, carregada de todos os sentidos possíveis. Ela carrega o ser ao mundo à frente, sempre!

A língua só tem futuro, vai em direção a ele, mas vive e progride no presente apoiada no passado. Lá onde fixada, suga a energia, sua raiz. Esta é a língua culta – o registro – e só o é agora, antes era da feira, da igreja, do reino, do castelo. E hoje é fria, documental, morta, é uma língua mental. Do laboratório para ser estudada, experimentada. Mas é a marca do caminho, o traçado, pelo qual se vem evoluindo desde então, e pelo qual caminham carregando-a todos os que a falam, estudam, acrescentam ou retrogradam, a fim de torná-la o que é. Signo ‘etnogênico’.

Este esqueleto originário, milenar, resultado das fusões subatômicas e quânticas de centenas de milhares, talvez milhões, de outros elementos constituintes físicos e imaginários, orgânicos ou inorgânicos, humanos e inumanos, tangíveis ou não, em torno do qual se forma e avoluma verticalmente esta árvore frondosa e abundante de frutos curiosos e, no mais das vezes, suculentos e cheios de significantes e significados históricos, já está formado, cristalizado. Coluna, é a estrutura rígida, ancestral para a qual se volta a atenção todas às vezes em que há dúvidas na direção ou sentido a seguir, e nada há de estranho, assim, no fato de que novos enxertos a ela venham se incorporando, permissivamente, a língua morta é flexível (?), e transbordando da cornucópia mágica que formam a língua brasileira de raiz lusitana (nenhuma língua é pura), transmutando-a sem nunca deixar de sê-la, desenvolvendo-a e tornando-a grande, cada vez maior, ao mesmo tempo em que milhares de outros termos vão secando e caindo, sendo abandonados pelo tempo, abrandados pelo desuso no caminho. Mantém assim o equilíbrio inteligente que a tudo molda e dá substância no universo, no jogo dialético da vida e morte.

Há, por isso, e neste meu modo específico de ver, falando ao mesmo tempo cada um com seu traço regional sonoro e terminológico, muitos brasis. Todo brasileiro falante e praticante da língua e, mesmo os não falantes, carregam um Brasil em si, ‘genomórfico’, único e plural, já projetados e ideologizados pelos diversos arquitetos da colônia e que aqui desembarcaram e ainda chegam diuturnamente, e também aos que aqui nasceram, filhos daqueles e letrados naquelas cartilhas, hoje acoplados às tecnologias, às práticas mercadológicas e aos interesses empresariais, comerciais, usando os acentos locais, nos quais localizamos também variantes linguísticas e regionais que arrastam um italianismo, um espanholismo, um indianismo ‘brasiliânico’ (o tom autóctone), francofonias ou galicismos, teutofonias, anglicanismos, enfim estrangeirismos que resultam em caipirismos diversos, risíveis e motivo de piada entre todos, mas todos também inteligíveis, num momento convergente, brancos, negros, pardos, amarelados e ou avermelhados, nos quais se reconhecem tanto os originais quanto os miscigenados.

Desde que saídos ou intrinsecamente ligados ao tronco principal, nunca deixarão de ter a raiz formada a partir do axioma latino, e de origem românica, clássico e vulgar e de uma, em si, nova e rica variante – a sintaxe lusitana, por si, também, brotando de raízes distintas. Esse evoluto natural é indiscutível. Não há pureza no sentido estrito do termo na formação desta língua ou de qualquer outra, assim como não há raça pura em humanidade.

Porque, afinal, ‘antropofagia’ é um dos nossos traços culturais mais marcantes, já visto e ampliado até em conceito, inclusivamente, há muito pelos nossos poetas e mestres, metidos desde então nos imbróglios de suas funções e utilidades.

 

pobrerico

 

 

A gordura dos tempos modernos, lições à esquerda e à direita do poder sobre o controle dos desejos e seus problemas…

 

Micro Ensaio – Psicossociologia

 

Amiga da juventude, atualmente, estendendo os braços à maturidade e graças aos interesses do sistema capitalista, a pressa ganhou o nome de velocidade. Eis quando se torna perigosa, assassina e desleal, porque engana o ser que a usa levando-o de encontro ao perigo, e quase sempre ao desastre pela aparente supressão do tempo e da diminuição do espaços, ou será o contrário?

Não importa! A pressa é inimiga da prudência, aquele sentimento de atenção que antecede qualquer perigo e que nos torna aptos a realizar, com certa riqueza de detalhes, as ações que nos proporcionam mais do que a sensação de segurança, mas também o sentido do fazer bem feito, que por sua vez nos traz ou induz-nos à sensação de felicidade, tão logo cheguemos ao final daquilo que nos propusemos realizar. O mestre Aristóteles discorre em sua Ética sobre a Felicidade: “é o sentimento que reside no fazer bem feito o nosso trabalho” – ou seja, para o fim, àquilo que nos propomos a realizar baseados na escolha certa, pensada, no exame racional dos meios que utilizaremos para chegar ao fim – bom, útil e belo. O uso da razão pressupõe um bem estar ulterior, uma satisfação (mesmo física, como estar bel alimentado) a priori, porque nela identificamos o completo das possibilidades e assim nos sentimos seguros e compelidos a agir sem receio de errar. Contudo, ainda podemos errar, só que desta feita mais pela intervenção do acaso, ou seja, da fortuna, no dizer Maquiavélico, daquilo que não podemos evitar por estar além de nossas possibilidades pessoais e por tratarem-se das ações da Natureza (forças psicofísicas – Aristóteles e Platão falam da Metafísica) que não nos compete superar, ainda que possam passar pela nossa compreensão em parte.  Isto nos exime do sentimento de culpa porque fugiu de nosso poder, está além de nossas forças e das nossas possibilidades naturais. E a culpa é a troça negativa que se apodera da razão, o que nos faz propender à autocomiseração, confere excessivo valor à perda e às suas consequências, consumindo parte importante de nossas vidas, anulando temporariamente, às vezes, a nossa capacidade de reexaminar a situação e de resolvê-la.

‘Sei que vai chover e que será uma tempestade, e que dela advirão raios e relâmpagos, mas preciso resolver um determinado problema em um lugar afastado até o fim do dia. Determinado, sigo meu caminho e vou em direção ao local com a segurança de que poderei resolver a situação tão logo lá chegue. No meio do caminho uma ponte caiu pela ação das fortes correntezas do rio que está cheio e transbordou, não posso atravessá-lo. Esperar as águas abaixarem não resolve o meu problema, ainda há a ponte destruída. Dar a volta por outro caminho é impensável – a demora consumiria grande parte do tempo que disponho e me faria perder a oportunidade de resolver o problema a tempo.’

‘A pressa me diz: atravesse a correnteza. Neste momento devo analisar friamente todas as minhas condições de superar a correnteza. Sou forte, jovem, capaz e tenho no máximo 50% de chances de conseguir. O outro lado premente da questão é: o problema que tenho de resolver é mais importante do que 50% de minha vida? Ele que espere. Volto para casa e mando uma mensagem dizendo a verdade. Impedimento de ordem maior. Amanhã, ou quando a ponte estiver em condições, irei’. ‘No mundo atual o problema que me impede de resolver a questão pode ser queda de energia elétrica seguida de fim da bateria do meu aparelho de comunicações celular ou outras considerações de mesmo peso e valor. ‘

‘A prudência me fez pensar no valor maior: minha vida. Sem ela não há como resolver nada!’ Mas, no mundo moderno, as necessidades criadas pela inventividade acrítica e cruel do sistema do consumo, e das respostas rápidas, aceleradas pela tal da concorrência, que no final só visa dar lucro ao detentor da cornucópia de desejos infantis que nos acomete reforçados pela propaganda, vivemos correndo, com pressa, acelerados pela ignorância de chegar a lugar algum, porque lá só existe mais pressa, e não há prêmios, apenas dependência, só castigos despertados pelos desejos que tão logo se consumam e se realizem se transformam em outro desejo maior e mais forte, a nos mover novamente em direção a lugar algum, ou talvez a outro ponto mais elaborado do desejo. É importante ver as traduções e as diferenças apontadas entre desejo e vontade (também discutidas primordialmente por Aristóteles, bem como no avanço histórico-temporal destas reinterpretações e suas correlações adaptadas às linguagens da contemporaneidade por estudiosos e psicanalistas como Freud, Jung, Wittgenstein e Lacan), dentro da lógica conceitual do mundo da materialidade, e dos bens produzidos pela indústria no complexo capitalista. A discussão ganha vulto e dimensões no discurso de outro mestre: Rene Guenòn em seu fenomenal trabalho de análise dos contornos psicossociais no pós-segunda guerra mundial, e as consequências nefastas produzidas na Europa pela corrida desenfreada que teve de se implementar, e pela reprogramação forçada  da reconstrução da vida em o Sinal dos tempos e o reino da Quantidade.

O esforço racional é feito sempre pelos outros mecanismos da máquina de mover o mundo que introduzirão nas pessoas, de modo elegante e frio, levando-as a buscar trocar uma satisfação imediata que se esvai tão logo em seguida por um valor material e financeiro que sustenta um status (o símbolo do poder não é o poder, que é imaterial, sentimento, e não está em mim, mas nos outros que o representam, e é nisso que reside o engodo), ao mesmo tempo em que reforça na entidade humana desatenta o sentimento da necessidade de acelerar, de aumentar a velocidade de seus atos, e, repercutindo a ordem, impensadamente, e por contaminação, psicosmose, ou seja lá qual for o nome que se dá a esta corrente pegajosa, lá se vão novamente para lugar algum, movidos pelo desejo implantado pela propaganda, atrás da consumação de um desejo que no máximo consequenciará o desejo do dono da cornucópia, este sim orientado pela necessidade de ser maior, melhor, mais forte e deter mais poder que os outros. No modo crítico de ler e dentro de uma perspectiva marxista dialética da história que nos dá parte da compreensão dos fenômenos e assevera ser a economia o motor e sustento de grande parte das ações humanas, estes personagens gerente da cornucópia são os donos dos meios de produção, hoje bens de consumo. Na perspectiva liberal são os empresários que geram a riqueza do mundo, e consequentemente, na dialética que rege ambos os conceitos, a sua miséria.

Não é à toa que muitos adoecem, engordam, sofrem de insônia, e, contratempo máximo da inversão, são obrigados a parar, experimentando a infelicidade e tornado-se vítima da indústria da dor que vive de propaganda, de vender fórmulas e soluções em gotas ou comprimidos, e, às vezes, de intervenções mais drásticas no corpo-máquina já descontrolado que tende a gerar corpos descontrolados por aproximação e práticas num círculo vicioso, bem ao sabor dos (des)controladores da cornucópia.

Para melhor compreensão do que se propõe neste texto recomendo leituras basilares:

Ética de Aristóteles – A metrética (medida) que usa o estagirita (Aristóteles era chamado assim por ter nascido em Estagira) procurava o caminho do meio entre vícios e virtudes, a fim de equilibrar a conduta do homem com o seu desenvolvimento material e espiritual. Assim, entendido que a especificidade do homem é a de ser um animal racional, a felicidade só poderia se relacionar com o total desenvolvimento dessa capacidade. A felicidade é o estado de espírito a que aspira o homem, e para isso é necessário tanto bens materiais como espirituais. Os materiais se alcançam com o trabalho, a realização da ideia em algo palpável pelo que se troca, hoje em dia por dinheiro – assim o investimento da quantidade de tempo disponibilizado para trazer do mundo ideal para a realidade o pensamento, fruto da razão, da lógica, da inteligência, da criatividade, ferramentas mentais humanas. A espiritualidade é como um reflexo do bem que se alcança pessoalmente e coletivamente e como resultado do trabalho bem feito.

Mas, esta é uma leitura contida e individualizada; nunca devemos nos esquecer de que nas sociedades atuais o homem é consequência também de suas relações co-construtivas. Com o advento da sociedades industriais os homens passaram a depender muito mais uns dos outros, imitando – um tipo de mimetismo psicossocial – as cadeias produtivas das empresas onde trabalhavam. E num só golpe perderam-se os sentidos de trabalho como ferramenta de felicidade, bem como promoveu-se a desconexão com o espiritual. Além disto, outro efeito notado foi o surgimento de grupos sociais com problemas específicos e relacionados aos seus nichos de trabalho que acabaram se juntando em torno destes problemas e configuraram por interesses as diversas associações de classe, o que nos remete às explicações dialético-materialistas do pensamento marxista.

O Capital – Karl Marx – diversos estudos compilados em volumes que tratam de assuntos que vão desde a Economia Política às críticas aos modelos econômicos anteriores às análises, bem como os modos de produção, acumulação, distribuição, força de trabalho, abstinência, mais valia, capital mundial, críticas aos modos industriais vigentes e perscrutações filosóficas e aprofundadas sobre a relação trabalho x capital.

A Arte da Prudência – de Baltazar Gracian, um estudioso jesuíta espanhol que em 300 aforismos, lança luzes sobre as relações humanas, tomando como princípio a instabilidade do ser humano no campo emocional (desvio natural explorado e muito bem aproveitado pela propaganda\publicidade atual, de olhos sempre nas fraquezas, mais do que nas virtudes humanas). Este livro funciona como um manual de estratégia para bem viver. Mas não usa sentimentalismos ou utopias. Seu modo de pensar se baseia na realidade dos fatos. Para Gracian, o ser humano é imprevisível e age em todo o tempo buscando seus próprios interesses (outro apelo muito bem explorado pela publicidade atual que aposta no individualismo, bem mais do que na valorização da individualidade). Ser precavido, portanto, ante as circunstâncias para obter o equilíbrio é a base de seus ensinamentos.

Punção e desejo Sigmund Freud – a base do pensamento de Freud está na paixão desenvolvida pelo Amor (Eros), filho de Júpiter e Afrodite por Psique, filha de Vênus (Afrodite). O mito se repete na história das tragédias greco-romanas como na guerra de Troia, em que Helena representa Psique, e o príncipe troiano que a raptou Eros.  Resultado de uma disputa em que o príncipe pastor escolheu a beleza em vez da sabedoria, o rapto de Helena, a mulher mais bela do mundo cumpriu o destino de Páris, quer teria sido apontado por uma maldição no seu nascimento: ele, pelas suas escolhas, poria fogo em Troia e a destruiria, como resultado da guerra e c omo vemos no mito de Troia\Aquiles.

O mito é uma alegoria do encontro da Alma com o Amor. Em versões mais antigas Eros é uma divindade primordial saída do Caos e não é filho de ninguém. Páris aparece em outro mito, no qual ele deve escolher a mais bela entre três deusas, desencadeando a guerra de Troia. Mesmo tendo sido corrompido por Vênus e tendo Páris a feito vencedora, a formosura de Psique a tornou mais venerada do que Vênus….

Assim, na leitura freudiana, ‘o desejo é um desdobramento da busca pelo prazer (importante aqui notar as diferenças entre Epicurismo e Hedonismo), e visa, como meio de realizar tal descarga, a experiência da identidade entre a percepção atual, o sentir, as emoções e os estímulos que compuseram a vivência de satisfação primária – desde o contato intrauterino, às fases de satisfação oral mamando nas tetas da mãe, que se substituem. Nas palavras de Freud : “a uma corrente…que arranca (o aparato psíquico) do desprazer e aponta ao prazer, chamamos desejo” . Nesse sentido, a grande força motriz da ação de um sujeito, em Freud, é a busca de retorno a esse momento de satisfação plena, que nunca mais será revivido integralmente, como também é essa busca do substrato para toda a construção do aparelho psíquico, além da fonte de sua energia, à medida que “somente um desejo pode impulsionar a trabalhar nosso aparato anímico” Ainda segundo Freud o desejo pertence mais propriamente à esfera do afeto (por sua qualidade de “moção” e “corrente”), enquanto o “traço mnêmico da vivência de satisfação”, investido pelo desejo, pertenceria ao campo do representacional. O desenvolvimento do Eu consiste em um processo de distanciamento do narcisismo primário e produz um intenso anseio de recuperá-lo. Esse distanciamento ocorre por meio de um deslocamento da libido em direção a um ideal-de-Eu que foi imposto a partir de fora, e a satisfação é obtida agora pela realização desse ideal (a luta interior entre a cultura e a natureza básica do zoon – o animal, o ser dotado de anima – alma) contribui para a construção de um Eu social zoon politkòs – e quanto maior esta luta mais um lado tende a se impor e a superar o outro.’

Símbolos e PoderKarl Gustav Jung – “Wotan” havia tomado posse da alma do povo alemão. E quem é Wotan? O deus representativo das forças naturais em desequilíbrio, “um deus das tempestades e da efervescência, desencadeia paixões e apetites combativos”. Quem, deus ou demônio, representa esta vontade\desejo de ter, dominar, acima dos outros? Como satisfazer tais desejos – interessante rever o mito grego em que as deusas entram em disputa durante uma cerimônia de casamento em que Éris, deusa da Discórdia e única que não havia sido convidada, compareceu à festa com uma maçã de ouro com a inscrição “à mais bela”, oferecendo-a àquela que fosse escolhida a mais bela das deusas. Hera, Atena e Afrodite disputaram a posse do pomo. Zeus, para não entrar em conflito com elas, recusou-se a ser o juiz, e por conselho dos outros deuses, escolheu Páris, por ele ser honesto. Assim, esperando ser escolhida, cada uma das deusas fez promessas ao jovem príncipe. Hera, rainha dos deuses, prometeu a Páris que se fosse escolhida, ele seria o rei mais poderoso do mundo. Atena, deusa da sabedoria e da batalha, prometeu que se ganhasse, ele teria muita sabedoria e sempre obteria vitória nas batalhas. Já Afrodite, deusa da beleza e da sensualidade, prometeu que ele teria o amor e se casaria com a mulher, que naquela época, era a mais bela do mundo: Helena, filha de Zeus com a rainha Leda. Páris acabou escolhendo Afrodite.

Os próprios deuses sofrem dos males que representam\exemplificam em suas história e mitos; então a danação, a dor e a confusão antecede aos homens e aos mortais, e isso torna-se claro que percebemos que os deuses desciam à Terra para se misturarem com os humanos e com eles vivenciar experiências que a deidade impedia – escolher uma mortal para reproduzir, por exemplo, um semi deus que o seria inimputavelmente, mas reproduziria desta feita num só corpo\alma as dores e contradições dos dois princípios: mortalidade e imortalidade – Eros filho da sujeira e da miséria e Tânatos filho da Noite e do Caos.   Combinação muitíssimo curiosa, não?

Lacan. O Eu como instância de desconhecimento, de ilusão, de alienação, sede do narcisismo. É o momento do Estádio do Espelho. O Eu é situado no registro do Imaginário, juntamente com fenômenos como amor e ódio. É o lugar das identificações e das relações duais. Distingue-se do Sujeito do Inconsciente, instância simbólica. Lacan reafirma, então, a divisão do sujeito, pois o Inconsciente seria autônomo com relação ao Eu. E é no registro do Inconsciente que deveríamos situar a ação da psicanálise para descobrir ou botar luz na necessidade da transformação. Para tanto, faz-se necessário desligar algumas luzes artificiais e buscar em si algo maior e melhor – “Conhece-te a ti mesmo!” Condição sem a qual não se reconhece nem se evoca o dharma presente em todos os corações..

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Qual alimento\dica boa mais não pode faltar à mesa diária?

Sobrevivente em Portugal há pelo menos 300 anos, o gênero literário é a expressão da força da língua e de suas ferramentas de dispersão mundos afora, tempo afora; sistema nervoso central da cultura, alma e espírito que se formam e se transmitem à despeito das miscigenações.

 

“Informações sobre o tempo/pesca/agricultura/astrologia – transmitir coisas simples e úteis, visando ao bem-estar do homem, preveni-lo contra adversidades, anunciar-lhe bons tempos para o plantio, para a colheita, para os empreendimentos, contar-lhe os segredos dos astros, os mistérios contidos nos velhos alfarrábios, as lendas e os fatos do passado, as ocorrências do presente, alguma coisa segura sobre o futuro à base da marcha da ciência.”

Eu que jogo Farmville e projetei outros jogos eletrônicos os vejo prosperar no espaço virtual de forma fria, a desenvolverem-se quase que sem minha presença, e, seguramente, sem alma alguma, ou, se a houver ei-la contida também na frieza das combinações binárias, enclausurada if, go, then… Almanaques não. Eles tem alma ou carrega muitas e as põe em contato umas com as outras, diariamente e de forma simples, quase direta, numas poucas letras  em forma de código – a escrita da e na língua – faz a ponte em 40 páginas, no máximo, contando capa, contra capa e, quem sabe, modernidades, algum encarte publicitário. É um pequeno ser vivo, simples, básico, como aquelas invenções que perpassam o tempo a demonstrar: jamais perderão utilidade, que resiste às guerras, às pragas e ajusta-se ao próprio caminhar, companhia das horas em qualquer estação, desde que ainda existam papel jornal, tinta para impressão e a vontade humana de se comunicar.

Frutos de cultura secular, os almanaques, termo de origem árabe – Al manakh – eram uma espécie de calendário que continha datas e indicações importantes para as pessoas que viviam da agricultura e mesmo nas cidades, como fases da lua, solstícios de verão, dados astronômicos etc. Há relatos que datam sua chegada em Portugal por volta dos 1500 pelas mãos de um astrônomo estudioso de origem semita, rabino pesquisador na Universidade de Salamanca (criada durante o califado Omíada de Córdoba) época em que o predomínio da cultura árabe na região era definitivo. Perseguido pela inquisição espanhola – braço ideológico e cruel da guerra católica romana cristã no combate à força das culturas árabe e semita no sul da Europa -, Abrão bem Samuel Zacuto transferiu-se para Portugal e prestou importantes serviços ao rei Dom João II. Anos depois foi novamente perseguido e expulso pela inquisição católica romana portuguesa e mudou-se para Damasco, capital da Síria onde faleceu.

No período em que esteve em Portugal, mais precisamente na cidade de Leiria, publicou o seu Almanaque Perpétuo logo traduzido para o latim e o castelhano, e que serviu como guia e referência para as viagens de Vasco da Gama e Pedro Álvares Cabral que buscavam chegar às Índias.

Atualmente, no Brasil, os almanaques têm funções variadas, publicados anualmente carregam ainda em sua essência as dicas do dia a dia sobre a saúde, alimentação e cuidados básicos, previsões astrológicas, reportagens de conteúdo variado, como recreação, humor, ciência e literatura e eventualmente, algo sobre a ciência milenar da Astronomia.

 

Quer saber mais? Procure e leia em Academia.edu:

In FOLKCOMUNICAÇÃO EM PORTUGAL: um estudo sobre a prosa, saber popular e conhecimento científico dos almanaques portugueses.

Sonia Regina Soares da Cunha – Doutoranda em Comunicação: Tecnologia, Cultura e Sociedade pela Fundação Ciência e Tecnologia de Portugal (doutoramento realizado por um grupo de universidades portuguesas sendo o CECS/UMinho a instituição principal e os parceiros: Labcom (UBI), CIES (ISCTE-IUL), Cicant (ULHT-Cofac), CECL (UNL) e CIMJ. E-mail: id5294@alunos.uminho.pt

Quem quer o nosso petróleo?

 cadeia do petroleo

Vou procurar ser didático.

Tudo o que um político de carreira, profissional quer é ser eleito e reeleito, quantas vezes ele puder na vida. Isto tem um custo, e é elevado na atual conjuntura. Tudo está inflacionado, tudo é caro demais. Quem sabe e diz isso não é só o publicitário ou “marqueteiro” que vai cuidar da eleição, mas as pessoas de um modo geral percebem isso no dia a dia, vivem sendo bombardeadas pela mídia que usa (abusa e distorce) a informação como arma contra quem não gosta. A inflação etc., mais um fenômeno social do que da economia, mas isto é outro assunto.

Quero me ater aqui ao tema financiamento de campanha. Se for público ou privado, como foi proposta a discussão tempos atrás, também não é esta questão, embora resvale-a por diversos ângulos, mas é a um lance de dados e um fato específico que está na ponta de lança deste tema, aquecendo o debate. A Petrobras e aos últimos lances da novela que mais mexe com o coração, fígado, pulmão e cérebro do brasileiro de todas as classes sociais. Vende e privatiza de uma vez ou mantém o atual modelo?

Criada na década de 50 dos anos 1900 pelo então presidente Getúlio Vargas consta lá (pra facilitar) até na Wikipedia: Petróleo Brasileiro S.A. (Petrobras) é uma empresa de capital aberto (sociedade anônima), cujo acionista majoritário é o Governo do Brasil (União). É, portanto, uma empresa estatal de economia mista. Com sede no Rio de Janeiro, opera atualmente em 25 países, no segmento de energia, prioritariamente nas áreas de exploração, produção, refino, comercialização e transporte de petróleogás natural e seus derivados. O seu lema atual é “Uma empresa integrada de energia que atua com responsabilidade social e ambiental“. E o mesmo pode ser atestado no site da empresa e do governo.  É a maior empresa da America Latina o que significa nem México, nem Argentina, nem Chile, nem Venezuela, nem todos eles somados tem mais importância global que a Petrobras. Em 2013 detinha sozinha 10% do PIB nacional (estimado no primeiro trimestre de 2015 em R$ 1trilhão e 481 bilhões e 4 milhões apesar da crise mundial que reduziu o crescimento do país).

Aí tem de saber se é empresa de economia mista e opera na bolsa de valores captando recursos de particulares, com quanto o governo fica e quanto os acionistas privados detém deste poder que atrai a cobiça dos capitalistas do mundo todo? Mas, isto também é outra questão, embora seja fundamental para entender a estratégia de dominação global que ela atrai e representa. Quero ficar aqui mesmo, no Brasil, mais especificamente no cenário onde as políticas econômicas se (re)definem de acordo com interesses e ao sabor das circunstâncias, mormente o país e a sociedade sejam quase sempre colocadas de lado nestas horas. Falo do Senado e da Câmara dos Deputados, lá em Brasília, ainda que eleitos pela sociedade.

São eles que criam leis e elaboram projetos que ajudam ou prejudicam o país. Quando ajudam não fazem mais do que a obrigação, são funcionários públicos, foram eleitos e são bem pagos para isso, mas quando prejudicam, e o fazem constantemente, porque querem se reeleger e continuar do lado do poder, a situação torna-se perigosa e crítica para todos, principalmente para quem trabalha, produz e gera riquezas para o país – a população economicamente ativa (um dado a ser discutido). E é exatamente no Senado que está sendo encaminhada e talvez aprovada a lei que decide vender para a iniciativa privada a riqueza que significa\representa a Petrobrás.

A mídia diz que a Petrobras está envolvida em escândalos, que financiou campanhas e ajudou partidos e políticos. Ora, o banco Itau, o Bradesco, Banco do Brasil e outras grandes empresas nacionais e internacionais fazem a mesma coisa. Todas doam dinheiro para campanhas políticas. Por isso criam lobbies, esquemas bem armados e fortes dentro do Congresso Nacional. Gente para defender seus interesses em troca de uma comissão aqui, uma campanha ali etc… Daí a discussão já citada do financiamento de campanha: público ou privado (discussão que deve necessariamente ser fortalecida e sempre colocada em pauta). Claro que os líderes partidários ficam com a maior parte dos recursos financeiros oriundos das empresas para as suas campanhas, e as doações ao vultosas, mas, descontados estes valores pós eleição o resto, a sobra é distribuído seguindo uma escala hierárquica de importância dentro dos próprios partidos entre os ditos puxadores de votos (aqueles que tem mais chances, são mais atraentes para os eleitores. Aqui o político funciona como o produto do partido, e partido político funciona como empresa. Ele vai vender o que tem de mais popular… O que sobra depois de tudo, depois dos eleitos tomarem posse, o caixa 2, vai pro bolso de alguém(ns). Bons contadores fazem esta dinheirama parecer legal aos olhos do fisco e escondem-se das leis que regulam os exercícios da política e da economia.

Interessa aos partidos políticos colocar gente sua dentro das empresas estatais ou de economia mista porque assim garantem sua influência e mentem um lastro de segurança para futuras eleições. É troca de favores entre “amigos” e correligionários que matem o fluxo financeiro e a promiscuidade no jogo de cartas marcadas.

Ao vender a Petrobras para empresas internacionais passa-se esta dinâmica para as mãos de jogadores não brasileiros que a partir daí comandariam o jogo, e com os políticos definidos nas mangas de suas casacas finas os capitalistas estrangeiros definirão a vida do país daqui para frente. A riqueza toda se transfere para fora do país e tudo o que se faz é manter uma elite de dominação local subalterna e atendendo às demandas e necessidades de lá.

Lá fora (nos USA, Inglaterra, França, Espanha, Bélgica etc) elas, as empresas que comprarem a Petrobras pagam impostos, são instituições de capital privado na maior parte das vezes, e devem responsabilidades aos seus governos, às suas coroas, à sua gente, mas aqui não devem nada. Pode até ocorrer de uma lei ser criada para inglês ver, um truque hábil de retórica fiscal que cobre e recolha uma porcentagem sobre alguma forma de transação qualquer, sempre mínima, de fato, mas os arranjos feitos na negociação da compra e da venda da estatal implicam já no pagamento de investimentos (financiamentos) nas eleições desta elite local (os vendedores) ali posta para cuidar do investimento, em acordos com os bancos e outras empresas locais etc… Podem, inclusive, financiar uma oposição a esta elite já previamente escolhida, dado que as insatisfações e tomadas de posições contrárias ao modelo estabelecido em contrato podem ocorrer, então prevenir é sempre melhor do que remediar. Mas, enquanto agem de acordo com os interesses dos novos compradores tudo corre bem. Investir na oposição também garante sucesso, caso venham a surpreender e retomar o poder – afinal estão recebendo apoio em suas campanhas… O capital prende todos de qualquer forma.

Assim foi com a Embratel vendida à Telefonica espanhola, foi assim com a Vale do Rio Doce (leia-se Samarco desastre ambiental MG\ES) vendida para a iniciativa privada da Holanda, foi assim com o Banespa vendido para o Santander espanhol, o metrô paulista etc… Lembra da chamada privataria tucana? Os políticos do PSDB arrecadaram mais de 45 bilhões de reais com estas “privatizações” para si, não para o país, porque tinham um plano de ficar mais de 20 anos no poder com sede fixa em São Paulo (onde já estão durante todo este tempo). Pois bem, hoje os partidos ditos de oposição no Brasil tem uma missão: vender o patrimônio e as riquezas do país para grandes capitalistas e investidores internacionais com um único objetivo: conseguirem recursos para financiar as suas campanhas eleitorais. E os partidos de situação, atualmente o PT e uma base aliada muito difícil de entender e suportar tem a missão de segurar o patrimônio e dele usar para salvar o país de sua crise eterna de subdesenvolvimento, como os royalties do Pré-sal para a Educação, por exemplo, projeto excelente, mas que já foi transfigurado pela própria oposição, que como se sabe, tem outros planos e obedece a outra lógica.

Depois das denúncias de abusos, corrupção etc fica mais difícil crer na missão do PT, farta e injustamente atacado pela imprensa, já que a maioria dos crimes praticados e denunciados foi cometido por políticos de outros partidos que usaram seu contador (já preso) para manter o jogo de poder, mas ainda é preferível a deixar nas mãos da oposição (encabeçada pelo PSDB) que já vendeu nosso patrimônio uma vez, pensa com a cabeça dos outros e nada tem a ver com o Brasil. Ou entregue a escroques como os políticos do PMDB, o que seria também muito ruim.

Desta forma o eleitor fica com duas opções: ou vota moralmente, porque acha feio e errado o que dizem que o PT fez (muito do noticiado é só indício de irregularidade e propaganda negativa) ou abandona de uma vez o sonho de ser brasileiro, com muito orgulho e entrega logo o seu maior tesouro pros gringos e aceita a neoescravidão liberal capitalista. Vossa majestade, o povo, é quem decide afinal…

Volmer S. do Rêgo

 petroam

Sites da Petrobras e outros:

http://www.petrobras.com/pt/quem-somos/nossa-historia/